NERD - Afetos

Afetos diretos nas relações humanas com o avanço da tecnologia

Maria Eduarda Souto Rodrigues do Nascimento – Estudante de Relações Públicas no Centro Universitário FIAM-FAAM

Nos últimos anos é quase que impossível não perceber o quanto o indivíduo se tornou mais adepto e dependente de qualquer coisa que esteja em torno da era digital. Crianças já estão prontas a receber as tecnologias e a flexibilidade que um celular traz consigo. Em questão de alguns cliques, a mesma já está assistindo seu desenho ou jogando um game inovador. E tudo sendo apenas uma questão de adaptação. Gerações mais antigas demoraram mais para chegar a essa patamar de acompanhamento das transformações digitais, ou ainda estão se aprimorando sobre essa nova realidade.

Segundo um estudo do IPEA, o “motor do avanço da ciência é a curiosidade”, sendo muito bem colocada nos dias atuais. Todos os produtos de ponta foram criados no intuito de suprir uma necessidade ou até mesmo reparar algumas carências. Tudo isso acarretou em impactos diretos nas relações humanas. Toda comunicação é traçada a partir dos códigos, desde as artes rupestres nas décadas passadas, às conseguintes, que passaram a ser algoritmos que em questões de segundos mudam toda a dinâmica do que aparece nas redes sociais.  

Atualmente, estamos sendo voltados para as mais diversas estratégias de “desenvolvimento”, ou seja, toda ação ou efeito relacionado com o processo de crescimento, evolução de um objeto, pessoa ou situação em uma determinada condição, partindo do embasamento teórico capitalista. A globalização se instalou muito bem com seus principais conceitos de “conectar cada vez mais” e “um mundo conectado”.

É pautado como todas essas questões modificam os afetos dos indivíduos, porque as consequências diretas desses mecanismos afetam a sociedade como um todo. Altas taxas de desemprego, desmatamentos, crises políticas, problemas cambiais que afetam o desenrolar social da população, porque se preocupar em viver em um contexto de ilusões, na qual, é normal cansaço excessivo, rotina exaustiva, desencadeando até algumas doenças psicológicas.

Todo esse processo de amadurecimento da tecnologia trouxe consigo um processo de adaptação das pessoas; houve uma transformação quase que de imediato entre as gerações. Um estudo da Intercom aponta que: “Toda informação é dotada de consciência, objetivo e finalidade ao ser transmitida do emissor para o interlocutor”, porém com toda a flexibilidade e rapidez dos mecanismos tecnológicos e a disseminação sem controle, nas redes é como se fosse “terra sem lei”, fake news e xingamentos tomam conta das redes sociais em questões de segundos.  

Ou seja, a sociedade atual é composta por gerações que não foram ensinadas a estar nesse meio. Na pandemia, as frentes que usam a globalização como salvação, a manipulação rápida das informações são consequências diretas da carência histórica que há com o ser humano. Como por exemplo em território brasileiro, na qual, temos uma sociedade totalmente dívida com uma das maiores crises políticas já vista, tudo por conta da disseminação de informações inverídicas que dificultam a partes interessadas realizarem seus devidos serviços. 

Ressalvando que, atualmente com toda essa pressão que recai sobre a população acarretaram pontos positivos e negativos. Retomando o que foi explicito em parágrafos anteriores, os afetos foram diretamente interferidos, os indivíduos tornaram-se máquinas que seguem os altos padrões impostos pela utopia de gerações passadas, a geração “mimimi” é composta pela transição. A saída de antigos costumes para a realidade colocada no século XXI. Como demonstrado perfeitamente no filme de Charles Charplin, tempos modernos, na qual ele trabalha dias incansáveis e nenhum de seus colegas toma a iniciativa de ajudá-lo, a falta de empatia virou prática dentre muitas realidades, porém não por algo infundado, a sociedade está sendo ensinada a sobreviver, “olho por olho, dento por dente”, é o lema que mais se enquadra em todo esse embate. De um lado é colocado a geração que está disposta a mudar, que está inserida na era digital em contrapartida, a geração que pegou o bonde andando.  

Essa luta de gerações traz consigo um caráter múltiplo, os afetos dependem dos meios tecnológicos. Seria errôneo dizer que a tecnologia não traz benefícios porque em relação à saúde, máquinas e afins ela é de longe mais que excepcional, mas está sendo colocado em pauta como tudo isso afetou as mais diversas relações humanas. “O mundo conectado” virou um palco de discussões, na qual todos querem dar sua opinião, a sociedade não foi ensinada a lidar com as mais múltiplas diversidades existentes.  

O padrão utópico que foi colocado sofreu mudanças, em gerações passadas a classe dominante tinha poder sendo colocada como prioritária, a transição se dá quando essas questões não são mais aceitas. Uma grande pauta a ser discutida é como as redes sociais afetam a vida pessoal do indivíduo que acompanha com vigor os meios digitais, como colocado quando as doenças psicológicas estão sendo cada vez mais corriqueiras, mesmo com todas as lutas a todo fervor, indivíduos conhecendo a linha entre o que é eticamente correto e incorreto, usam-se das redes para disseminar todas as suas opiniões, muitas vezes sendo mascaradas por ataques de ódio.  

Os afetos dependem diretamente de uma ligação emocional, seja ela a mais profunda até em saudações corriqueiras, tudo se tornou digital em todo o contexto atual é pautado com enfoque em quem “está a frente de quem”. O capitalismo trouxe, com a sua mais extensa magnitude, mais competitividade entre os seres humanos. As pessoas esqueceram de viver suas vidas e vivem em busca uma realidade totalmente ilusória, que coloca como foco todas as questões que não se enquadram a normalidades. Exemplificando quando sua vida é comparada a de uma blogueira ou um pais em subdesenvolvimento que precisa correr atrás de uma realidade de desenvolvimento pautada a partir de séries de características que o mesmo não possui.  

Todas as mudanças vieram em um curto espaço de tempo. A internet tornou-se um meio prático e barato. Segundo Bauman (2001) a modernidade é a época em que a vida social passa a ter como centro a existência do individualismo, é a fase marcada por uma expansiva autonomia do homem em relação à vida social, ou seja, essa autonomia é extremante perigosa pois a internet não é uma corrente individual, e sim, um grande pacto social, como as vacinas, por exemplo. As bolhas sociais que alguns indivíduos não ousam sair afetam diretamente uma parcela das sociedades, todas as ações tomadas hoje geram consequências futuramente.  

Podendo concluir que as relações humanas, frente a todas essas mudanças, tiveram um enfoque ao meio digital notório, a instauração rápida e desenfreada da tecnologia na sociedade hoje traz as mais diversas consequências tanto positivas quanto negativas. As vidas humanas estão sendo baseadas no que é notificado e postado nas redes, acarretando em um ciclo vicioso em que tudo é necessário estar nas redes, ou seja, à vista de todos.  

Os afetos estão sendo pautados na quantidade de tempo que se estar disponível para determinado assunto para uma pessoa específica nos meios digitais, acarretando em uma grande pressão em dar conta de tudo (vida acadêmica, profissional e social), tendo em vista, também os problemas macro ambientais que afetam bruscamente a vida – é tudo uma questão de interdependência. Como foi apontado, ações antiéticas para com todo o meio tecnológico têm se tornado frequentes – é necessário que os indivíduos possuam o mínimo sendo ético para o cumprimento, sem afetar outras pessoas. Ansiedade e depressão são as maiores consequências para os indivíduos que estão muito conectados a esse meio.  

A luta de gerações não vai parar, estamos em um período de transição, na próxima década estaremos no mesmo período, porém com pautas diferentes a serem discutidas, os costumes são repassados. Todas as mudanças são necessárias para que esse pacto social seja sempre renovado conforme elas vão se estabelecendo, é um ciclo que se repete.  

REFERÊNCIAS

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2001. 

ESTUDO IPEA: “A ciência e a tecnologia como estratégia de desenvolvimento”.  

https://www.ipea.gov.br/cts/pt/central-de-conteudo/artigos/artigos/116-cienciae-a-tecnologia-como-estrategia-de-desenvolvimento

ESTUDO INTERCOM: “O impacto das novas tecnologias na sociedade: conceitos e características da sociedade da informação e da sociedade digital”.  

https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.intercom. org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R1533-

1.pdf&ved=2ahUKEwiU9_7ZjqLzAhVjqJUCHWiYA3MQFnoECAQQAQ&usg=A

OvVaw0P2oq9cJG8wZdTRucP4TBI 

 “Impactos do uso das redes sociais virtuais na saúde mental dos adolescentes: uma revisão             sistemática    da       literatura” – https://educacaoepsicologia.emnuvens.com.br/edupsi/article/view/156